13 de maio de 2015

Um mês depois por Patrícia Mesquita

Pedimos à Patrícia um testemunho, não hesitou e enviou-nos estas sentidas palavras. Obrigada mana Patrícia.  

"Já falta menos de um mês para terminar esta experiência e tudo o que eu queria era poder ficar muito mais tempo. Não há experiência comparável a esta, de sairmos da nossa zona de conforto para um dos países mais pobres do mundo, onde tudo é diferente do que estamos habituados, mas esta diferença faz-nos crescer e olhar o mundo com outros olhos.

Estar aqui a conviver com a realidade do meio rural Moçambicano faz-nos repensar tudo, desde as nossas prioridades, à nossa postura para com a vida. Aqui não há stress - o que não se fizer hoje, faz-se tranquilamente amanhã. Aqui não há pobreza que não seja amparada pelo vizinho do lado. Não há dificuldade logística do dia-a-dia que desmotive e que lhes tire aquele sorriso contagiante na cara.

Acima de tudo, aprendi que os Moçambicanos são uns lutadores. Desde as mamãs ou vovós já com muita idade que vão para a machamba sobre um sol insuportável e que não descansam um dia por semana, estão sempre no mercado a tentar vender os seus produtos por uma verdadeira ninharia. Às crianças que passam os seus dias livres de escola a vender na rua, quer seja a maçaroca assada ou os produtos da machamba. À mulher em geral, que aqui tem que ser muitas vezes chefe da família, com 4, 5, 6 filhos a cargo,  a viver com pouco ou nada, mas mesmo assim passam o dia bem dispostas, acordando de madrugada, passando um dia inteiro sem comer e andar KMs sem fim para chegar a casa. E chegam a casa e não têm água, não têm luz, arriscam-se a ter a sua palhota alagada durante a noite caso chova, comem chima (farinha de milho cozinhada) todos os dias e são raros os dias em que até há feijão ou verduras para animar o estômago. Furta é muito caro e carne ou peixe são luxos raros na sua vida. Aos jovens lutadores que temos conhecido, muitos deles apoiados pela UPG, que acordam às 5h, vão para os seus trabalhos nas escolas, mais uma vez, muitos deles passando o dia sem comer, tendo que suportar os chapas (transporte local) a abarrotar, onde não nos conseguimos mexer sequer para tirar o dinheiro do bolso e ainda vão para as suas aulas à noite, lutar por um futuro melhor.

É....Aqui as coisas não são fáceis, mas são genuínas. São ao sabor do vento, são em sintonia com a natureza. E não há um dia que não se oiça uma história que não nos parta o coração, mas que ao mesmo tempo nos ensina a ter coragem e valorizar o que temos. Cada dia que passa estou mais grata à UPG pelo trabalho que aqui faz, por fazer tanta diferença no mundo de tantas crianças – quer seja garantindo-lhes a sua única refeição do dia, ou um apoio ao estudo que permite que a criança possa ultrapassar as suas dificulda
des, ou a aprendizagem de um ofício que lhes vai servir de sustento digno para a vida.

Khanimambo UPG, por existirem e por serem tão guerreiros por este povo que tanto merece uma oportunidade.

Mana Patrícia Mesquita"



7 de maio de 2015

A Nova Contabilista do Chokwé

A professora Graças antes da defesa da tese
É com todo o gosto que felicitamos a nossa bolseira Graça Silvestre Sitoe, que concluiu hoje a sua licenciatura em Contabilidade e Auditoria pela Escola Superior de Economia e Gestão (ESEG) do Chokwé!
A professora Graça trabalha na área da educação há já 15 anos e atualmente dá aulas de Português e Educação Musical a turmas da 6ª classe na Escola de São Vicente de Paulo no Chokwé, a sua terra-natal. É casada e tem cinco filhos.

A professora Graça com o seu supervisor e o júri
Há quatro anos atrás, a professora decidiu voltar a apostar na sua educação, inscrevendo-se no curso de Contabilidade e Auditoria no horário noturno. Desde que o fez tem sido um exemplo para os seus alunos e colegas, conseguindo que vários outros professores começassem a fazer as suas licenciaturas.
Foi uma longa caminhada – gerir um emprego a tempo inteiro e aulas todas as noites não foi fácil! – mas todo este esforço valeu bem a pena. A professora apresentou hoje a sua tese: “A Importância da Auditoria Interna no Desenvolvimento das Organizações” frente a uma plateia composta pelo júri, pelo seu supervisor, familiares, amigos e duas voluntárias da UPG.
A apresentação correu muito bem e a professora Graça é agora a nossa mais recente licenciada!
Apresentação da tese
Nos agradecimentos da sua tese, a professora escreveu: “Uma palavra de apreço vai para a organização Um Pequeno Gesto Uma Grande Ajuda, que muito contribuiu para a minha formação.”

Por nossa parte, não podíamos estar mais orgulhosos da professora!
As voluntárias da UPG Patrícia e Cris com a professora Graça e Hilário Langa, Coordenador Geral da UPG em Moçambique

6 de maio de 2015

“Quero salvar vidas!”


Henriques a ler uma história aos colegas
O Henriques Ausendo Tivane é um afilhado UPG que frequenta a Escola de São Vicente de Paulo, no Chokwé. O sonho do Henriques é ser médico e trabalhar num hospital. “Quero salvar vidas”, confidenciou às voluntárias da UPG!

O Henriques é bem comportado e trabalha muito na sala de aula. A sua disciplina favorita é o português pois gosta muito de ler e escrever.
Numa das aulas de apoio ao estudo dadas pelas voluntárias da UPG, foi eleito o melhor aluno do dia depois de ter lido a história “Gisela Amarela” aos colegas, colorido uma série de desenhos na perfeição, feito um ditado sem erros e um bonito desenho. Pelo seu empenho e entusiasmo nesse dia, ganhou um pequeno presente – uma lancheira!


Bom trabalho, Henriques!

Henriques a mostrar um desenho para ser enviado para a Madrinha UPG 

5 de maio de 2015

Os cursos técnicos em SLM!

Lembram-se da nossa Voluntária e Amiga Cristiana, que teve a coragem de fazer um salto de Bungee Jumping pela UPG? Aqui está ela a contar em primeira mão como estão a correr os "seus" cursos técnicos.

“No verão de 2014, lancei a mim própria o desafio de fazer bungee jumping para angariar fundos para a A Little Gesture, ONGD-irmã da UPG. O objetivo era angariar 1000 libras para podermos financiar um curso técnico durante um ano na Escola de Santa Luísa de Marillac em Manjangue.
O desafio foi cumprido (com alguns gritos pelo meio!) e, mais importante ainda, ultrapassámos o nosso objetivo, angariando um fantástico valor de 1224,97 libras (com gift aid)!

Estou agora em Moçambique como voluntária da UPG juntamente com a Mana Patrícia e, na semana passada, assistimos a uma aula de culinária com a Irmã Antónia e o Mano Cristóvão. Queríamos ver com os nossos próprios olhos como é que os cursos técnicos estavam a correr.

A aula começou pontualmente às 9:00, altura em que oito alunos se reuniram numa cozinha improvisada no recinto da escola. A Irmã Antónia e o Mano Cristóvão trouxeram os ingredientes e deram as instruções. Os alunos lá foram cozinhando e, pelas 10:30, já tínhamos 200 bolinhos prontos para serem vendidos ao preço de 1 metical cada – uma verdadeira iguaria!

Os alunos não cabiam em si de contentes. Rapidamente apanharam o jeito e começaram a cozinhar sozinhos! E ver o resultado final foi indescritível. O sorriso de todos não deixava margem para dúvidas – todos estavam satisfeitos e orgulhosos do seu trabalho!

A formação técnica é essencial para dotarmos as crianças e os jovens de competências que os ajudarão a encontrar emprego mais facilmente e tornarem-se autossuficientes. Foi um enorme privilégio assistirmos de tão perto à forma como os nossos donativos e o nosso apoio estão a ajudar esta escola e a fazer a diferença na vida destes alunos.”

1 de maio de 2015

O projeto de produção de tijolos do Silvestre e da Associação de Jovens continua a avançar!

O projeto de produção de tijolos do Silvestre continua a avançar!

Silvestre a mostra um forno onde os tijolos são cozidos
No dia 14 de abril, a equipa da UPG voltou a visitar o Silvestre, o nosso conhecido mestre dos tijolos!
No início deste ano, o Silvestre arrancou com a primeira fase de um projeto de produção de tijolos queimados graças a uma campanha de crowdfunding e uma angariação de fundos da nossa presidente, Sara.
O Silvestre trabalha com uma equipa de 18 jovens parte de uma associação que, além de prosseguirem com os seus estudos e/ou empregos, se dedicam a este projeto com todo o empenho, fabricando uma média de 750 tijolos por dia!
Parte dos tijolos produzidos destina-se à venda, no entanto, a equipa faz também questão de reservar e doar parte da produção a famílias carenciadas, nomeadamente à comunidade de idosos de Xinhacanine, onde a fábrica se localiza.

Tijolos produzidos pela equipa
Têm como objetivo a produção de 1000 tijolos por dia assim que conseguirem investir em mais material e estão a construir o edifício onde se vai situar a fábrica, junto de uma lagoa para aproveitamento da água. Planeiam ainda fazer uma parceria com um oleiro da comunidade.

Parabéns ao Silvestre e a toda a equipa pelo espírito empreendedor e pela dedicação à comunidade local!


Silvestre e parte da sua equipa com Anabela Nina e Joana Pereira (UPG Portugal) e Hilário Langa (Coordenador Geral da UPG em Moçambique)