11 de fevereiro de 2013

Meninos de Hokwé


Relatório do Mano Hilário

"Em relação às visitas que tenho efetuado a Hokwe (internato onde temos os meninos a estudar), constatei que os meninos estão bem e alegres. A última viagem, realizei-a na sexta feira passada muito cedo, diferente dos outros dias e, pelo menos estive reunido com todos os meninos na totalidade. Nos outros dias vou lá enquanto alguns estão na sala de aula e, portanto, não os costumo retirar da sala de aula por mais que seja importante a visita. Eu sou a primeira pessoa que exige que eles devem estudar, estudar muito porque nada mais é importante em relação à formação.
Fiquei tão contente e emocionado quando lá cheguei, porque eles deram-me um grande abraço voluntariamente e confesso que isto me deixou muito contente. Acho que eles já começam a ter confiança e carinho por mim, pois nas conversas que tenho tido com eles além de falar sobre a escola tenho apelado para confiarem em mim como irmão mais velho deles ou amigo e vejo que assim o fazem.
Infelizmente a casa de Mateus, Adriano, Anselmo, Pedro e Júlio foram alcançadas pelas águas das cheias e as suas famílias também se encontram nas zonas de reassentamento. A casa da Lina não foi alcançada, aliás ela tem a casa na macia e lá a água não chega, o Hélio também teve a mesma sorte graças a Deus. Por agora não posso escrever muito em relação a esta situação, pois tudo o que escrevi me foi dito por ele em conversa. Ainda não fui pessoalmente verificar esta situação.
Importa aqui referir que no dia em que lá fui, levei para eles umas garrafas de um litro de sumo e uns biscoitos para acompanhar o sumo e eles ficaram tão felizes como mostram as fotografias. Sobre a prenda do Natal só desta vez consegui levar para eles, pois como bem se sabe eles só estão no centro internato durante o ano lectivo e depois vão de férias para casa. Como prenda do Natal levei uns calções para educação física e umas cuecas (pois isso seria a primeira coisa a pedirem no início do ano).
Enfim este é o ponto de situação de Hokwe e tudo que lhes posso dizer os meninos estão bem e estão a estudar muito.
Um abraço muito forte deles e meu."
Hilário Langa
  10.02.2013

Júlio, Hélio e Lina

Mateus e Pedro

Anselmo e Adriano

Testemunho Irmã Lídia

Semana de 4 a 8 de Fevereiro

“As águas baixaram aqui em Manjangue, antes de chokwé e logo se começou a limpeza, coordenada pela Irmã Maria do Céu que à medida que as famílias iam voltando, tentou envolver algumas mães e alunos para ajudar. Um trabalho muito pesado, pois fica um matope-barro de centímetros em tudo. Roupas e papeis que são difíceis de aproveitar. Conseguimos salvar muita coisa: computadores, fotocopiadora, documentos dos alunos. O que ficou baixo foi com a água. As crianças como fugiram da água, muito material escolar e roupa, uniforme também se foram. Vive-se uma situação de fome terrível. Com o apoio que recebemos comprámos alimentos e vamos atendendo as crianças em pior situação, os doentes de SIDA e aqueles que estão com Vovós sozinhas e sem condições de nada.
A Irmã Esperança (enfermeira) vai socorrendo os doentes, em suas casas e lá no Irmão Licínio, as crianças estão a tomar a medicação muito certinha, ela controla bem. Vamos ver a recuperação de tudo que vai demorar um pouco, mas estamos muito unidos e com coragem. Agora é trabalhar na solidariedade para poder reiniciar a vida.
Tenho pena da Irmã Neusa, pois na escola São Vicente a água foi mais e não tiveram tempo de erguer nada. Ainda estão a limpar, pois a água demorou mais a baixar.
Vamos comunicando o que poderá acontecer nesses próximos dias. Temos confiança e esperamos que o pior não venha, pois as noticias e informações muitas vezes são contraditórias.
Quando voltarmos às aulas temos vontade de dar pelo menos uma sopa aos alunos, pois não têm nada o que comer e nem dinheiro para comprar uma vez que as compras agora só se fazem na Macia, tudo foi com as cheias.

Unidos na oração e na entreajuda.”

Irmã Lidia








8 de fevereiro de 2013

Alfabetização em 2012


Relatório Projecto Alfabetização 2012

"Iniciámos o anos com 2 homens e 49 mulheres num total de 51 pessoas em Banhine. Em Conjoene iniciámos com 7 homens e 63 mulheres totalizando 70 pessoas. No final do ano registámos 6 desistências, 1 de Conjoene e 5 de Banhine.
Com base nos nossos dados tivemos um aproveitamento muito positivo, apenas reprovaram 8 pessoas em Banhine e 6 em Conjoene totalizando 14 pessoas reprovadas.
As professoras disseram que têm muito gosto de trabalhar, mas apenas como temos pessoas com  deficiência da vista, essas querem mais aulas práticas como costura e ofícios.
Os nossos alunos têm sido muito adequados para contas, isto é, em matemática já tem muita prática na adição, multiplicação divisão e problemas. Em língua portuguesa têm mostrado grande interesse na escrita e leitura, apenas falta a interpretação dos textos.
Os monitores e as professoras avaliamos o projecto duma maneira muito positiva, pois é muito difícil levar pessoas que, não sabiam ler nem escrever, a ser letradas. É muito satisfatório, pois nós não esperávamos e decorreu acima das nossas expectativas, até ao final do ano os nossos alunos já conversavam em português em plena sala de aulas.
Quanto à ligação da aprendizagem e as tarefas que têm em casa verificámos que na época da colheita, os alunos tem faltavam muito.
Pela melhoria do projecto a direcção distrital tem gostado muito da iniciativa de colocar o adulto na aprendizagem e vimos que a melhoria da vida e o modo de entender as coisas têm dado um passo para em frente.
De acordo com a calendarização a alfabetização iniciou-se a 11 de Fevereiro e terminou no dia 16 de Novembro, de 20 a 26 decorreram os exames. Demorou um pouco por causo da falta de material no distrito, tais como livros e produção de folhas de nominais."

Pelo Monitor Issufo







7 de fevereiro de 2013

Situação em Chokwé


A Irmã Neusa está de novo refugiar-se em Maputo e as outras Irmãs estão a deslocar-se de novo para Hospital Carmelo. A Irmã Lidia e as irmãs de Manjangue recusaram-se a sair. No Hospital do Carmelo estão a ajudar milhares pessoas que recorrem e ajudam Médicos Sem Fronteiras também.
Ontem, o Mano Hilário foi ao projeto de Hokwe, mas os jovens estavam em aulas, voltará depois. Informou que as pessoas estão novamente a sair de Chokwe, porque pretendem abrir as comportas.
No Monte Chirrundzo já têm “Hospital Campanha” e 1 médico Sem Fronteiras. Amanha, à volta do Centro, terminam a construção das LATRINAS para as pessoas desalojadas.
Com a ajuda da Opway e dos Sul africanos já reconstruiram uma estrada de ligação  entre CPRE/Manjangue embora de terra batida, este momento, já se pode fazer o trajecto em 5/10 minutos.
Perto da barragem e, por todo lado onde se pode cultivar, o povo está a SEMEAR MILHO – segundo o Irmão “é lindo de se ver, aqui o povo quer trabalhar , não é em vão que isto aqui se chama CENTRO RENASCER PARA A ESPERANÇA”. “As pessoas não ficaram de braços caídos, estão a trabalhar, produzir e fizeram por ter o pão nosso cada dia!”




6 de fevereiro de 2013

Últimas noticias do Silvestre e Hilário


Técnicos de S. Luisa Marillac e SVP

“Estou bem juntamente com a família apenas o susto da informação que haverá mais cheias nos próximos dias, mas enfim esperamos que não venham para estragar o que pelo menos já se arrumou até agora. Quanto ao trabalho ontem fizemos a última limpeza para, hoje, as crianças iniciarem as aulas. Apesar de ontem ter aparecido um número reduzido de crianças, esperamos que hoje apareçam as crianças para estudarem, porque ainda estão um pouco dispersas.” Por Silvestre

Quanto ao Hilário, ontem foi comprar sumo concentrado e bolachas, tipo lanche, para hoje às 5h levar aos Meninos de Okwe. Também, já falou com Irmã Aida (nova ajuda em SVP) para, assim possível, irem à Macia e a Chiaquelaine ao campo de refugiados localizar e identificar as crianças do projeto.

Juntos pelas crianças!




Recomeçar no Centro Renascer…


O Irmão Licínio sente que esta altura das pessoas novamente retornarem para suas vidas, as suas casas e as suas machambas. É preciso começarem por trabalhar a terra de forma a ser um sustento para as famílias! Há que retomar o contacto com a terra que, está pronta e à espera e espera-se que dentro de 1 mês já existirá milho, abóbora e outros produtos. É tempo das famílias começarem a limpeza das casas e, aos poucos deitar SEMENTES A TERRA! Uma forma de ultrapassar mais esta provação da vida.
Com o apoio da Um Pequeno Gesto, a Voluntária Sonia, está a organizar uma recolha de sacos de sementes de feijão, milho. Hoje, Irmão Licinio irá carregar tudo que conseguir e levar no carro dele. Ele está a ser pelas irmãs da Machel e dos Padres Salvatorianos, que estão a trabalhar conjunto (Padre Paulo) e emprestaram-lhe 2 carros para levar os produtos.

Juntos reconstruiremos a vida destas famílias!





5 de fevereiro de 2013

Em Xai-Xai..


Ontem, o tráfego rodoviário entre o Sul e o resto de Moçambique esteve novamente interrompido devido à danificação de uma ponte na Estrada Nacional nº1, na entrada da cidade de Xai-xai, no bairro 8, na província de Gaza. Esta situação era já iminente segundo o Director da Administração Nacional de Estradas, Cecílio Grachane, que explicou à Rádio Moçambique que desde o rompimento do dique de protecção da cidade o caminho de escoamento das águas, que transbordaram do rio Limpopo há duas semanas, para o mar, passa pela ponte em vez de fazer o seu trajecto habitual deixando a ponte com os pontos de encontro corroídos. Explicou que as obras visavam “atacar” zonas da estrada com erosão e que ameaçavam ruir.
Neste momento, a circulação está normalizada, no entanto, as obras de requalificação irão continuar.