25 de setembro de 2009

O descanso da guerreira!

O descanso da guerreira!
Depois de muita brincadeira, é hora de almoço no Orfanato de Chiaquelane!
Na foto: Luísa da Encarnação "Lulucha"

22 de setembro de 2009

Pilando o milho


Esta é uma das cenas mais vulgares na nossa imaginação quando pensamos em África. Mulheres a pilarem o milho!


No Orfanato de Chiaquelane, onde esta fotografia foi tirada, o acto de pilar o milho (que serve para se poder cozinhar a xima - estilo de puré feito a partir do milho) é uma das muitas tarefas das meninas mais velhas.


Nesta imagem, a Edna e a Zélia preparam o milho para a xima do janter de hoje à noite.



19 de setembro de 2009

A Edição. N. 5 da "Newsletter UPG" já foi enviada !

... e graças a isso, o Michel com 10 anos de imediato conquistou o coração de uma "nova madrinha".


Quer saber qual a sensação de ser padrinho?! Faça o seu pequeno gesto e vá assistindo às transformações na vida destas crianças!


Estamos a recrutá-lo/a. Precisamos de si!

10 de setembro de 2009

8 de setembro de 2009

Ainda há quem viva assim

Porque ainda há quem viva assim... porque ainda há quem precise de nós.

Imagens recolhidas na última distribuição de alimentos numa comunidade próxima da Missão de Chongoene, a norte de Xai Xai.

video

Distribuição Alimentos Setembro - Chongoene

No âmbito da política de apoio às famílias mais carênciadas da Missão de Chongoene, este mês foi efectuada mais uma entrega de produtos alimentares. Aqui ficam algumas fotos da distribuição em Chongoene.

Este mês alterámos as quantidades oferecidas. Desta forma, a distribuição constou de:

12,5 kg de arroz;
10 kg de açúcar;
2 kg de sal;
1 kg de chá;
1 lt de óleo;
10 pacotes de massa;
10 pacotes de caldo galinha;
8 barras de sabão.

Quatro famílias faltaram à distribuição, pelo que os respectivos produtos ficaram guardados para posteriormente seram entregues. Para as duas famílias que vivem a vários quilómetros de distância, a distribuição é feita na própria casa.





Mano Aldo, Mana Andrea e Mana Karen visitam Orfanato de Chiaquelane!

No passado dia 6 de Setembro o Mano Aldo, a Mana Andrea e a novíssima Mana Karen da Bélgica, visitaram o nosso Orfanato. Bem ao espírito Moçambicano, este Domingo foi um dia de festa!

4 de setembro de 2009

As vacas cá da terra


Também tem uma vaca em casa com o seu nome?


Pois, aqui em Moçambique parece ser uma tradição! Cada vaca que nasce tem direito a ser "baptizada" com o nome de alguém. Engraçado, não?


Aqui no Orfanato às vezes confundo-me quando estou perto das vacas. "Olha, lá vem a Paulinha!" Ainda penso duas vezes se quem vem é mesmo a vaca ou a Paulinha! :)

Em Moçambique ter uma vaca é um estatuto social, especialmente nas zonas rurais como o Chókwè ou Chiaquelane são. O gado é um bem precioso pois é o garante de alimento em caso de escassez de produto. Algumas vezes é possível extrair leite. Sim, algumas vezes apenas porque aqui o gado bovino é muito dado às magrezas! Devem ir muitas vezes ao Tallon!

Mas, se ter animais em casa é sinal de uma boa posição social, não os ter significa que a pessoa é pobre. Infelizmente, apesar de existirem muitas vacas por estas bandas (assim como cabritos e galinhas), estas encontram-se nas mãos de poucas pessoas.

Há dias morreu uma cabeça aqui no Orfanato. Quando cheguei ao curral e vi uma vaca castanha clara deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora, só me deu vontade de rir. É mórbido, eu sei, mas aquela imagem parecia tirada de um cartoon qualquer! Na realidade, a vaca além de já ser velhinha, estava doente há muito tempo.

"Irmã, o que faço com a vaca?" - perguntei ao telefone à Irmã Isaura que se encontrava fora nesses dias.

"Vou ligar ao veterinário e já lhe digo algo" - foi a resposta dela.

Esperei e o telefone tocou: "É para queimar a vaca e enterrar os restos". E assim se fez... ou quase!

Fui comprar a gasolina e pedi para trazerem a vaca para um buraco na terra. Como já era tarde deixei a gasolina no Orfanato e segui para casa, dando ordens para que a vaca fosse queimada e depois enterrada...

No dia seguinte cheguei ao Orfanato e perguntei pela pobre da vaca. "Está lá!" - respondeu o Vasco. Como já devem ter percebido, o "lá" é uma expressão muito utilizada por estas bandas. Como era um "lá" curto deduzi que a vaquita estava por perto. No caminho perguntei se a vaca tinha sido TODA queimada e a resposta foi uma engraçada "há-de ver com os seus olhos Mano Beto!"

O que será que tinha acontecido à vaca? Eu disse que ninguém podia cortar a carne porque a vaca morreu doente e tinham sido essas as ordens do veterinário. Para espanto meu lá estava a vaca: continuava deitada no chão, de olhos revirados e língua de fora mas, desta vez, ainda tive mais vontade de rir!!! A VACA NÃO TINHA PERNAS ;) Estava sem as quatro pernas. Por momentos pensei "será que sem pernas a vaca arde melhor?!?!?!?" Claro que não!

Durante a noite alguém veio e cortou cirurgicamente as quatro pernas. Garantiram-me que não tinha sido ninguém do Orfanato, mas sim alguém de fora. Depois das gargalhadas por ver uma vaca sem pernas e supostamente queimada (porque razão 5 litros de gasolina só deram para chamuscar o rabo do bicho?) pedi aos meninos que estavam lá para informar os "ladrões" que se comessem aquela carne iam morrer tal e qual a vaca!

Mais umas gargalhadas... umas graçolas com a vaquita e lá a levaram para outro sítio para ser devidamente enterrada!

Estejas onde estiveres Vaca, nunca mais vou esquecer da cena... sem as pernas!

Alberto Chaves

2 de setembro de 2009

Regresso das Voluntárias - Parte II

A Mana Inês Carvalho esteve no Projecto "Escolinha do André" em Xai-Xai.


" Trago Moçambique no coração... num lugar muito especial, onde só ficam as coisas especiais que importam guardar... Apesar das 10 horas de voo que nos separam de Moçambique, confesso que me senti sempre em casa por lá, mas é de facto uma realidade muito diferente da que estamos habituados, tudo tem uma dinâmica e uma energia muito própria, dificil de explicar ou de entender para quem está de fora e nunca visitou aquela África... A estadia na Escolinha do André, apesar de curta (3 semanas passaram a correr), foi uma experiência muito bonita... A sensação que fica, pois já escrevo estas linhas umas semanitas depois de ter regressado, é que foi uma experiência muito enriquecedora a todos os níveis - estive a dar aulas de Inglês e Português a crianças da 5ª à 10º classe. Aprendemos que é possível ser-se feliz com muito pouco. Sinto que há muito ainda por fazer, apesar da dedicação e esforço constantes de todos os que estão por cá e por lá e que abraçaram uma causa ou uma missão como forma de vida. Toda a ajuda, por mais pequena que possa parecer pode efectivamente fazer a diferença e aprendi também que um pequeno gesto, uma pequena carta, um pequeno telefonema, uma pequena encomenda, por mais simples que seja tem um impacto enorme do lado de lá, de quem recebe... é preciso tão pouco para fazer aqueles olhinhos brilhar de alegria... e como eles brilham... Sinto que fiz muito pouco, mas fiz o melhor que consegui, por isso venho com o coração um pouco dorido (confesso), mas cheio e tranquilo. Kanimambo por todo o carinho que recebi de todos, das irmãs, das crianças - guardo muitos sorrisos comigo... deixaram saudades e vontade de voltar...

Moçambique é Maningue nice!!!

Mana Inés Carvalho "

As Voluntárias falam da sua estadia com as crianças!

As Voluntárias Inês Albergaria e Inês Carvalho estão de volta a Lisboa e quiseram partilhar connosco como foi a sua experiência, o seu trabalho com as crianças. Aqui fica o testemunho de cada uma.

A "Mana Inês Albergaria esteve no Projecto "Orfanato de Chiaquelane" no Chokwe:
" A minha experiência em Mozambique…
Um Pequeno Gesto (uma grande ajuda), é realmente a melhor expressão para definir o meu mês e meio em Moçambique.
Foi o que eu fiz, pequenos gestos… todos os dias, todos diferentes, sempre um desafio, uns fáceis, outros mais complicados mas, todos muito gratificantes! Desde ensinar as cores, a tabuada, o corpo humano, explicar equações ou reacções químicas … até fazer desenhos, Dançar, jogar à carica e à corda…dar almoços, pintar prateleiras, tomar conta quando estavam doentes, enfim todo o tipo de pequenos gestos!
Foi uma experiência única, e que vou sempre guardar no meu coração…. Foi sem dúvida dos melhores momentos que vivi. Não há nada como chegar ao orfanato e ser recebida por 15 crianças a correr e a gritar Mana Inês! Mano Beto! É uma ternura ver aqueles sorrisos! Ter duas meninas sempre agarradas às minhas pernas! Despedir me deles foi uma emoção…. Todos a levarem me à camioneta a cantarem e a dançarem….
Por vezes pensamos que eles são infelizes e que não têm nada, claro que não têm tudo o que poderiam e até muitas vezes o que deveriam ter, mas eles são felizes!
Tive a sorte de acompanhar o meu afilhado desde o primeiro dia no Orfanato, no dia em que a madrasta foi lá perguntar se poderíamos tomar conta dele. Quando o fomos buscar a cabana deles! O Pai tinha desaparecido na África do Sul, morreu ou desapareceu… ninguém sabe dele. E estava a ser criado pela madrasta que não tinha condições para o alimentar… quando conhecemos o Xavier Júnior (o seu novo nome) era um miúdo de 3 anos com um ar muito triste, inchado da subnutrição e muito pequenino, mais parecia 1 ano!
Passado uma semana no orfanato a diferença era fantástica! Já andava de um lado para o outro de mão dada com a Gina e Lulucha (outras meninas da idade dele), brincava, ria… e estava mais gordinho! A irmã Isaura tinha razão quando o viu e me disse, Mana Inês este menino precisa de beber leite e comer bem!
Realmente, o facto de pudermos apradinhar /ajudar uma criança, podemos mesmo mudar lhe a vida! Dar lhes mais uma oportunidade de ser feliz, uma casa e no fundo uma família!
Obrigada ao UPG por esta oportunidade. Só tenho pena de ter sido tão pouco tempo…. Mas, dizem que quando é bom…. Passa muito rápido! Mas, como se diz em Moçambique… eu hei de voltar lá!
"Mana Inês Albergaria"