27 de dezembro de 2011

Um ano de sorrisos!


Em 2011, foram muitos os Pequenos Gestos que conseguimos levar até Moçambique! Com a ajuda de todos e cada um dos nossos amigos UPG, fomos mais longe, chegámos a mais crianças, a mais famílias, solidificámos a nossa presença nas comunidades, construímos mais sorrisos. 
Obrigado a todos os que participaram, fiquem connosco a criar sorrisos em 2012! 

23 de dezembro de 2011

Dia 23 - Manjangue arranca com a sua primeira Biblioteca




Um sonho da Irmã Lídia torna-se realidade. A Escola Sta Luisa de Marillac em Manjangue arranca com uma biblioteca acabada de estrear e recheada de livros.
São mais de 1.000 livros, com mais de 30 categorias, para diferentes idades e diferentes gostos. Na realidade, é um projecto que vai para além de um simples espaço de leitura. É também um espaço lúdico com diversos jogos e uma grande televisão e videoteca, livros de pintura, lápis de cor e de cera, aguarelas, tesouras, etc.
Em Manjangue são raras as crianças que têm em casa livros, televisão, materiais de pintura ou jogos lúdicos. A biblioteca é por isso um local único para as crianças, repleto de coisas e estímulos raros na Comunidade e nos seus dia-a-dia.
O fascínio e avidez das crianças a desfolhar e conhecer o livro, a aprender novos jogos e palavras, a pintar com novas cores e a ver filmes de lugares, pessoas e realidades tão distantes, rapidamente vai tornar esta biblioteca num local habitual no dia-a-dia. É um espaço onde as crianças vão aprender, exercitar, brincar e ter novos estímulos, ser criativos, sonhar e conhecer o resto do mundo, sem ter que sair de Manjangue. É o princípio de algo único e muito especial.
 "Mana Margarida"

19 de dezembro de 2011

19 Dez - Teresa e Sandra estão preparadas para a chuva!


Esta palhota tem uma historia muito especial!! Foi o primeiro DESAFIO UPG - Celebre em Grande! Um baptizado de uma menina em Abril angariou €1'235 para uma familia de 2 orfas que viviam com a avo e 2 irmaos pequenos numa palhota a cair. 
Vejam o testemunho da nossa Amiga UPG:



"Em Abril de 2011, fiz o baptizado da minha filha. Nesta ocasiao de festa quis Celebrar em Grande e dar um bocadinho da nossa felicidade aos outros. Ela foi abençoada com tantas coisas desde que nasceu e um baptizado é uma altura ideal para nos lembrarmos de quem é menos favorecido. Amigos e familiares gostam de dar uma lembrança de baptizado, mas pedi-lhes para esquecerem roupas, molduras ou medalhas - e tentarmos juntos construir a Palhota da V. em Moçambique!
A festa foi linda. Mas o que a fez ainda mais especial, foi que com a generosidade de todos juntamos €1'235 para construir uma palhota em Mocambique! Estava nervosa com a reaccao das pessoas ao meu pedido mas elas adoraram ajudar e no fim da festa tinha uma urna cheia de donativos! No fundo todos nos gostamos de ajudar os outros... Agora podemos fazer uma palhota com 2 divisoes, com latrina e equipamento de casa, cozinha e sala, e comprar cobertores e alguidares. Estou ansiosa por receber da UPG as fotos com o progresso das obras e manda-las a todos os que participaram.

E o melhor de tudo, quando a minha filha crescer, ela vai saber que no seu baptizado recebeu um dos melhores presentes do mundo. A sua festa vai mudar para sempre a vida de uma familia!"

Para mais informacoes veja "http://www.umpequenogesto.org/pt-PT/ComoAjudar/ASuaCampanha/ContentList.aspx"

18 de dezembro de 2011

18 Dez - A Vovó Ana este Natal vai dormir mais quentinha! Bom Domingo!




A  Vovó Ana vive na Missão de Chongoene e há vários anos que recebe mensalmente uma Cesta Básica com farinha, amendoim, açucar, caldos, chá, sabão e um frango, através do nosso programa Fundo de Idosos da UPG. 

A Vovó tem incapacidades físicas e sai pouco a rua. Mas este ano, recebeu também cobertores e roupa quentinha da UPG. A Vovó vai ter um 2012 mais quente!! 

15 de dezembro de 2011

15 Dez - Mamã Bernardete tem 5 filhos e começou a criar galinhas com a UPG





A mamã Bernardete tem a sua família apoiada pela UPG desde 2008, quando criámos o projecto de Apadrinhamento de Chognoene. Em 2009, fizemos 3 projectos piloto de criação de galinhas poedeiras. A Mamã é ajudada com a capoeira e as galinhas, bem como, no início, com a ração. Mas ao longo do tempo, passa a ser sustentável na sua pequena actividade. Graças aos bons resultados dos projectos piloto, a UPG angariou fundos para lançar projectos em várias famílias já em Janeiro de 2012. O processo passa por uma análise, família a família, das cerca de 500 famílias apoiadas pela cesta básica, avaliar as suas competências, necessidades e que tipo de pequena actividade económica saberiam implementar que pudesse contribuir para a sustentabilidade da família. Os inquéritos às famílias têm sido feitos por voluntários em conjunto com os técnicos locais e a próxima fase é a de selecção e formação das famílias, para que consigam organizar-se com o pequeno financiamento inicial dado pela UPG. Pretendemos que cada projecto não requira mais do que 100€, por forma a aumentarmos o número de famílias beneficiárias. Os projectos podem variar desde criação de galinhas poedeiras, criação de frangos, expansão agrícola incluindo ajuda em instrumentos de transporte para poderem deslocar-se e vender produção em mercado local, cursos profissionais, como de costureira ou cabeleireira, ou outros cursos locais que as famílias nos possam apresentar! 

14 de dezembro de 2011

14 Dez - Racília tem 11 anos e vai demorar menos tempo a chegar à escola!





Racilia tem 11 anos e frequenta a Escola Santa Luisa de Marilac. Começou a receber ajuda da UPG em 2011 e tem um Padrinho muito dedicado - falam bastante por email (com ajuda do Mano Silvestre) e até já "teclaram" via skype. O Padrinho está dedicado em ajudar a sua afilhada a crescer, motivá-la para os estudos e apoiar o seu desenvolvimento. Para o seu afilhado em Novembro, pediu à UPG para lhe dar algo especial - uma bicicleta. O dia foi de grande alegria, descrito por todos os que estiveram presentes de forma emotiva, alegando que se a "felicidade fosse doença, tinham todos ido parar ao hospital".
No final do ano, Racília não desapontou e foi a única criança das 50 apadrinhadas pela UPG a dispensar em todos os exames de 7ª Classe. 
Parabéns Racília. Obrigada Padrinho! 

13 de dezembro de 2011

13 Dez - A Biuda já não tem de andar 18 km para chegar à escola!







Biuda António Cossa, tem 16 anos e é a mais nova de 5 irmãos. É boa aluna e com muito gosto pelos estudos. Fazia diariamente 18 kms para ir à Escola; 9km para cada lado e estava em vias de abandonar a escola. Com o Apadrinhamento do novo programa de “Meninos de Hokwé”, está a realizar o seu sonho regime de internato na Cidade de Hokwé.
O programa de Apadrinhamento dos Meninos de Hokwé teve apenas 4 crianças em 2011, como piloto. Dirigiu-se a crianças com grande motivação para os estudos, boas notas, bastante pobres e com grandes dificuldades de acesso à escola. A UPG, com a ajuda dos padrinhos, financia o internato destas crianças na cidade de Hokwé, onde estão internas c. 80 crianças. Na escola as crianças recebem 3 refeições e cada um tem um membro do corpo escolar que lhes dá apoio.
Para 2012, temos vários pedidos de crianças que gostariam de frequentar o Internato e o Mano Hilário vai ajudar a seleccionar os poucos que vamos adicionar ao programa! 

11 de dezembro de 2011

11 Dez. Helena, Gérsio e Anselmo têm roupa nova e um tecto



A família Cossa vive em Bungane, é uma família de 3 irmãos, filhos de pai incógnito e cuja mãe morreu em Março de 2010, possivelmente por HIV. Os 3 irmãos ficaram órfãos, sendo a Helena que cuida dos 2 irmãos, e a sua única família é uma tia que vive perto. As crianças viviam da caridade alheia, eram ajudadas pela família e nenhuma ia à escola. Os seus vizinhos eram muito idosos e as crianças pareciam vagabundas.
A Helena, actualmente tem 17 anos, ajuda a Tia Beatriz (irmã da Mãe) na machamba e a tia, quando prepara comida na sua casa tenta partilhar com as crianças, que estão sozinhas na sua palhota.
Com o Apadrinhamento as crianças passaram a ir à escola, ter uniforme e acesso a material escolar. As crianças recebem uma cesta básica mensal que inclui 10kg de arroz, 3kg de açúcar, 2kg de amendoim, 1 litro de óleo, 6 pedaços de sabão, 2kgs de feijão, 250g de chá, 1 lata de milho, 1 kg de sal e 1 galinha. Adicionalmente, é entregue pão às crianças e a cesta é tipicamente reforçada mensalmente para os três.
A Palhota dá às crianças mais do que um tecto! Com o apoio da Fundação Luis Figo, conseguimos concretizar o direito à alimentação e habitação - pela primeira vez têm uma cama e o orçamento permitiu ainda a compra de equipamento para a casa. Enquanto a Palhota estava a ser construída, os 3 irmãos receberam no Dia da Criança cobertores e no Natal de 2010 três esteiras.
Assim, ao construirmos um lugar físico, que proporcionará higiene e segurança, estamos a construir sentimentos de protecção e conforto nestas crianças, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e social, capacidade de empowerment e auto-estima. Obrigada FLF!

10 de dezembro de 2011

10 Dez: Gina da Flora tem 10 anos e está na 2ª classe

A Gina frequenta a Escolinha do André onde recebe 2 refeições por dia, juntamente com outras 200 crianças apadrinhadas pela UPG.

Obrigado aos Padrinhos UPG por nos trazerem estes sorrisos tão grandes!


9 de dezembro de 2011

9 Dez: Mano Hilário vai à universidade e ajuda os que mais precisam



Mano” Hilário e a Bolsa Universitária UPG. Quanto mais investimos na aprendizagem dos nossos jovens desfavorecidos, mais eles vão melhorar as comunidades onde vivem! 
O “Mano” Hilário da Conceição é de Moçambique, tem 22 anos, estuda na Escola Superior de Economia e Gestão e é Técnico Local da UPG em S.Vicente de Paulo e Meninos de Okwè. O Hilário recebe uma bolsa universitária da UPG para apoio aos estudos. E estamos tão contentes de lhe proporcionar um futuro melhor!
O Hilário apoia nas actividades com as crianças e faz a mediação entre o programa de S. Vicente de Paulo e a UPG. O “Mano” Hilário conhece as histórias familiares “dos seus meninos” e, facilmente se deixa emocionar quando um dos meninos fica sem o seu único familiar directo. Com a maior regularidade visita estas crianças e acompanha as suas necessidades.
O Mano Hilário e também responsável por nos ajudar com o (ainda pequeno) programa dos “Meninos de Okwè”. A UPG dá apoio a adolescentes com avaliações excelentes mas que por razões económicas não podem prosseguir nos estudos. É o único projecto da UPG que apoiamos directamente sem um Parceiro, apenas contamos com a preciosa ajuda do Hilário.
Desejamos continuar a apoiar o Hilário nos seus estudos o mais tempo possível – alem de bom aluno ele tem um coração UPG enorme!! 

8 de dezembro de 2011

8 Dez: Lídia tem 9 anos e adora andar às cavalitas



Lídia tem 9 anos e frequenta a Escola de Santa Luisa de Marilac. Tem um sorriso rasgado e maroto. Claramente sabe mais do que a sua idade. Nélia é Apadrinhada pela Madrinha Isabel desde 2011 e graças a ela recebe para a sua família 10 kgs de arroz, 3 kg de açúcar, 1 litro de óleo, 2 kg de feijão, 250 gr de chá, 1 lata de milho,  1 kg de sal e um frango, de 2 em 2 meses.  Em Outubro, Lídia ficou mais perto da UPG, com a presença das Voluntárias Paddy, Piedade e Margarida, que estiveram na sala de estudo. Gosta de ir com elas para todo o lado e parece-nos que aprendeu a andar as cavalitas e lhe ganhou o gosto.

7 de dezembro de 2011

7 Dez: Arnaldo tem 19 anos e recebeu uma bolsa de informática



Arnaldo tem 19 anos e vive na Missão de Chongoene. Há muito que ouvia falar de computadores mas nunca tinha trabalhado com um. Um dia o Padre Rosendo convidou-o para fazer um curso de informática no Centro de Chongoene – mas Arnaldo não podia pagar o curso. O Padre Rosendo disse-lhe que poderia ter uma bolsa de informática da UPG. Arnaldo ficou muito feliz e foi um dos alunos mais aplicados do curso. 
Hoje, passa ainda muito tempo no centro com o Professor Joaquim e ainda descobre muita coisa sozinha. Melhor que tudo, Arnaldo arranjou um emprego. Inesperadamente, o técnico anterior da UPG teve de sair (para ter mais tempo para a Universidade) e Arnaldo tornou-se o mais recente técnico da UPG. Significa que faz a ponte entre as crianças, as mamãs e os Padrinhos, trata da parte administrativa do Apadrinhamento e comunica com a UPG e os Padrinhos. Tudo é possível graças a um computador e uma bolsa que não sabia existir e que lhe deu uma oportunidade.
As Bolsas de Informática da UPG foram lançadas em 2011 a pedido do Padre Rosendo. São atribuídas a jovens com dificuldades financeiras que os impossibilitam de fazer o curso, especialmente se representarem um caminho claro para uma nova situação profissional. Foram definidas 15 para 2011 e o balanço do primeiro ano está a caminho, mas é já positivo com o Mano Arnaldo!

6 de dezembro de 2011

6 Dez: Paluche tem 5 anos, gosta de contar histórias e recebeu a Bolsa das Flores


Em 2011, o doador que ofereceu a construção da Escolinha Flor da Infância quis ir mais longe e continuar a contribuir de forma significativa para o desenvolvimento das crianças de longo prazo. Como tal, propôs à UPG o estabelecimento de bolsas de mérito. 

Depois de muito estudo e adaptação à realidade local e à idade dos 3-5 anos, a UPG lançou em Dezembro a Bolsa das Flores, depois de ter explicado às famílias e aos professores. Para os pequenotes contam factores inter-pessoais como a interacção com as outras crianças e com os professores e a colaboração na escola mas também factores de aprendizagem como o reconhecimento e expressão da língua portuguesa, a identificação de símbolos e números básicos, identificação das cores, capacidades motoras, participação em jogos e teatros, aprendizagem de canções e invenção de brincadeiras. Para também ajudar na avaliação da família e assim incentivar para que todos contribuam para o desenvolvimento da criança, contam factores como a assiduidade, a higiene com que se apresenta a criança, potenciais de violência e ainda a participação das famílias na vida da escola e reuniões de pais. 

A bolsa dos 5 anos é uma bolsa multi-anual, distribuída ao longo de 5 anos. A família recebe uma cesta básica no primeiro ano, pela atribuição e poderá receber a mesma bolsa todos os anos até à 4ªClasse, caso a criança se desenvolva, tenha boas notas, seja assídua e se apresente frequentemente na Escolinha Flor da Infância. A cesta básica tem um valor fixo e adapta-se todos os anos conforme as necessidades da família. Este ano, para começar, a bolsa inclui material escolar, bens básicos para a familia e uns rebuçados! 

Parabéns a todos e khanimambo ao doador!


5 de dezembro de 2011

5 Dez: Mano Marquês, Um Caso de Sucesso UPG. Mais um menino UPG que recebeu carinho e apoio e agora nos dá de volta!

Em 2008, o “Mano” Marquês recebeu formação de uma das voluntárias locais UPG, a Teresa, e começou a trabalhar com a UPG. Desde aí que acompanha o dia a dia das crianças e ajuda na relação com os padrinhos na Escolinha do André e no Projecto Meninos de Xai-Xai. Além de ser técnico UPG, Marquês ainda estuda e é um aluno aplicado.

O Marquês é um verdadeiro caso de sucesso – e de orgulho! – para a UPG. Foi um dos nossos “Apadrinhados” originais e hoje escolheu também ele melhorar o mundo e dar de volta a quem o ajudou! 


4 de dezembro de 2011

4 Dez: Mamã Rosita já sabe escrever o nome


Mamã Rosita é uma das 15 mamãs que começou este ano as aulas de alfabetização na Escolinha de Santa Catarina. Esta é uma nova iniciativa da Um Pequeno Gesto em parceria com a Irmã Aparecida, pelo qual 15 jovens (e não só) mamãs aprendem a ler e escrever. Este é um pequeno passo que consideramos essencial para o desenvolvimento das famílias – não só as mamãs se desenvolvem, como também permite desenvolver as capacidades de aprendizagem das crianças. Força mamãs! 

3 de dezembro de 2011

3 Dez. Nelson e Elidio são 2 irmãos que terão uma casa nova pelo Natal


Nelson tem 8 anos e anda na 2ª classe. Elidio tem 10 anos e anda na 2ª classe. Ambos gostam de ver o super homem! 


Os dois irmãos começaram a ser Apadrinhados em 2011 pela UPG no programa de Santa Luísa de Marilac. Graças aos Padrinhos Silvia e Nuno e à Madrinha Rita os 2 irmãos recebem por mês acesso à educação (materiais e uniformes) e a cesta básica (10kg de arroz, 3kg de açúcar, 2kg de amendoim, 1 litro de óleo, 6 pedaços de sabão, 2kgs de feijão, 250g de chá, 1 lata de milho, 1 kg de sal e 1 galinha). As notas na escola estão cada vez melhores, especialmente após o desenvolvimento da sala de estudo da UPG em Santa Luísa. 

Em Novembro, quando a Mana Sara visitou a Escola, Nelson estava muito doente em febre e com pouca alegria na recepção que foi feita. A Mana Cátia até teve de o levar ao hospital. Mas Elídio compensou pelo irmão com abraços infinitos à Mana Sara ao saber que teria uma nova casa para o Natal. 

Curiosamente, na semana seguinte, o mau tempo levou o tecto da sua casa. A palhota da UPG tornou-se ainda mais urgente, possível graças à colaboração com a nossa ONGD parceira recentemente criada no Reino Unido - A Little Gesture. 







2 de dezembro de 2011

2 Dez. Ginoca tem 18 anos e quer muito estudar





Ginoca tem 18 anos e mora em Nhampfumine. Dois dos seus irmãos são Apadrinhados pela UPG. Na nossa primeira visita (tinha 15 anos) ficámos impressionados que a menina, apesar da idade que leva muitas para outros caminhos, passou o tempo connosco de cadernos nos joelhos a fazer trabalhos de casa. Descobrimos porquê - não só é Ginoca que toma conta dos 7 irmãos com a Mãe, mas também leva 4 horas de caminho a chegar à escola, sem nada para comer até ao seu regresso, quando ela própria cozinha o almoço, um dia de aulas e outras 4 horas de caminhada depois. Antes de partirmos, Ginoca fez-nos um discurso espontâneo de como estava agradecida porque não sabia que se comia massa nem sabia cozinhar com óleo e a mãe a tinha ensinado (parte da cesta básica que a sua família recebe). Deixou-nos a todos de lágrimas e muita vontade de ajudá-la a continuar. Recebeu uma bicicleta para encurtar o caminho para a escola e, com a ajuda de uma voluntária a sua casa sem tecto passou a ter tecto portas e janelas. Obrigada pelo sorriso de felicidade Mana Ginoca

1 Dez. Quito tem 4 anos e bebe leite na Escolinha Flor da Infância


Quito Bento Machalele tem 4 anos, vive com a avó e está no seu segundo ano na Escolinha Flor da Infância. Gosta dos jogos que faz na escola e mexe-se com muita facilidade, se bem que não é muito bom com as danças que lhe ensinam na escola. Mas a sua parte preferida é mesmo o mata bicho! No princípio nem sempre havia comida mas a Quito, sem saber porquê, sabe que agora há sempre mata-bicho e almoço. E algumas vezes até bebe aquilo que não sabia mas se chama leite, e até achou bem saboroso. Não sabe de onde vem tanta coisa boa, já ouviu falar da Um Pequeno Gesto. De qualquer forma aprendeu bem cedo a dizer Khanimambo e Obrigado é a palavra que melhor diz em Português! 

1 de dezembro de 2011

Este Natal, o Pequeno Gesto é nosso!




Caros Amigos UPG 

Este Natal, a Um Pequeno Gesto oferece um presente a todos os que nos apoiam!

A pensar em miúdos e graúdos, criámos um Calendário do Advento UPG  que promete uma contagem decrescente mágica e repleta de histórias ternurentas que nos vai acompanhar até ao Natal. É um calendário muito especial -  tem as caras lindas das nossas crianças, os nossos projectos e sucessos - tudo aquilo que a UPG fez em 2011 e para o qual vocês, Amigos UPG, contribuíram durante todo o ano!

Imprima e ponha no frigorifico. Conte cada dia com as crianças que o rodeiam, explorando cada dia e cada história de uma forma especial, despertando-lhes uma consciência social. Coloque no seu desktop e chegue ao trabalho com uma cara sorridente todas as manhãs...

Visite diariamente a nossa página facebook e volte ao nosso blog para saber mais sobre o sorriso do dia.

Distribua a netos, vizinhos e amigos para celebrar o verdadeiro espírito de partilha do Natal! Faça o download no nosso site!

Este Natal, o Pequeno Gesto é nosso - Obrigada pela sua Grande Ajuda e Bom Natal 2011!

'Tamos Juntos 
UPG

29 de novembro de 2011

Fecha-se um ano e começa-se o próximo


2011 ainda não vai no ultimo mês e a UPG  já anda em alvoroço na preparação do ano que vem. A viagem a Moçambique trouxe consigo muitas coisas para melhorar para o próximo ano, do lado dos Parceiros e da UPG e, ao mesmo tempo, trouxe ainda muitas ideias e sonhos de um mundo melhor para as crianças e para as suas famílias.
Por um lado, muito do nosso tempo estamos a tentar completar os últimos apadrinhamentos em atraso de 2011, num ano que foi claramente tão difícil para muitas famílias. Muitos não desistem e aproveitam o debito directo para contribuir em pequenas prestações. Na verdade, para nos e uma bênção, porque reduz a parte administrativa, numa organização em que apenas uma colaboradora trabalha a tempo inteiro. Ao mesmo tempo, há que repor as anuidades dos Padrinhos que demoraram a desistir e preparar tudo para o novo ano. 
De Moçambique chegam pedidos de novas crianças para Apadrinhar, actualizações aqueles que saem por bons e maus motivos, novas classes, avaliações e actualizações do estado familiar. Tudo para que as fichas de aluno permitam ao Padrinho conhecer um pouco mais da criança que apoia - a distancia. As fichas ainda só são enviadas para padrinhos novos, mas em 2012 esperamos enviar para todos os padrinhos, antigos e novos. As avaliações só serão enviadas no final do ano, mas em 2012 esperamos poder enviar trimestralmente. São muitas as melhorias que tentamos fazer ouvindo os Padrinhos e os Parceiros ao mesmo tempo que atendemos a nossa vontade de não aumentar os custos de organização
Para 2012, temos apenas a expectativa de 30-40 crianças novas - 20 da Escola de Santa Luisa de Marilac e 15-20 do novo programa de Bungane, aliado aos programas de Banhine e Nhancutse, com o Padre Rosendo. A ideia era alargar Santa Luísa Marilac para 50, mas a incerteza da situação financeira das famílias que nos apoiam não nos permite fazer promessas e prometemos re-avaliar daqui a 2 meses. 
Também temos pedidos para começar (finalmente) os pequenos projectos de apoio a geração rendimento e desenvolvimento de educação técnica, furos, salas de apoio ao estudo, tudo um pouco. 
Venham as mãos para trabalhar e para pedir mais fundos, para que o próximo ano seja mais um de Pequenos Gestos que se tornam em Grandes Ajudas! 

21 de novembro de 2011

Um dia na Escolinha Flor da Infância, por Mana Cátia


O percurso até lá faz-se através da terra vermelha, aquela que só se vê em África, é um caminho sinuoso, onde não se percebe muito bem onde começa e acaba a rua. Andamos pouco mais de um quilómetro e estamos a ouvir as crianças a brincar lá fora no alpendre.

Os sorrisos e as caras de curiosidade chegam até nós já com algumas palavas, umas faladas outras sentidas através dos olhares. Meninos desde os 3 anos  que brincam e correm como se fossem mais velhos da escolinha primária. 
A primeira coisa a fazer é tomar o mata-bicho (pequeno-almoço), não sem antes rezar e agradecer aquele leitinho tão precioso logo pela manhã. Depois é hora de cantar musicas tradicionais, fazer o comboio e cada um ir para  a sua sala.

Tudo o que vem depois é magia, pura magia no meio de África. Três professores ensinam o melhor que sabem quase sem recursos. A magia de quem acreditou que era possível e que todos os dias faz com que essa magia se transforme na aprendizagem do português, das cores, do alfabeto e dos números.


São caras como estas que nos fazem acreditar que é possível e que se todos nós dermos um grão de milho, no fim vamos ter um pote cheio capaz de fazer um prato de comida para cada uma destas crianças.


12 de novembro de 2011

Mana Sara de Regresso de Moçambique

Costumava saber-lhes o nome. De todos sem excepção. Tudo começou porque quis ajudar 30 crianças. E penso que até às 250 consegui manter nome do Padrinho e do Afilhado na memória. Mas hoje (felizmente) a Um Pequeno Gesto tornou-se em algo para além de mim, da minha memória e da minha história.


Os 10 dias em Moçambique são cada vez mais sobre como transformar Pequenos Gestos em Grandes Ajudas, como explicar as necessidades de comunicação de quem faz Pequenos Gestos e como resolver as preocupações daqueles que no terreno, executam as Grandes Ajudas. 



Com alguma tristeza passo menos tempo com as crianças e mais tempo com os adultos, mas sempre soube que era o outro lado de crescer. Continuo a ver as crianças, as suas casas e as suas famílias, mas já não posso passar o dia na Escola com eles a brincar, pintar, ler, jogar futebol ou montar um puzzle. De soslaio olhei as voluntárias que estavam na "Sala de Projecto" e de certa forma invejei o seu trabalho com os pequeninos. Mas também fiquei contente porque é parte do meu trabalho que seja possível as "Manas" virem para Moçambique.



A visita a Moçambique muitos pontos altos, alguns pontos baixos, mas há coisas que nunca mudam, seja o que fizermos na visita - temos sempre pouca vontade de vir embora e, quando voltamos, chegamos sempre com mais sonhos e mais vontade de trabalhar. 

Deixo em baixo um sumário do que visitámos, o que discutimos, com quem falámos, porque transparência é sempre bom. Mas detalhes sobre cada um dos dias, das visitas, das conversas, terão de vir em muitos mais posts, uns sobre a forma de história, outros sobre a forma de novos projectos e novos sonhos que trazemos na bagagem. 

Dia 1: Visita à Escolinha do André e à Parceira Local, Irmã Isabel. Muita conversa sobre voluntários, a licença "sabática" da Irmã e potencial partida de Moçambique, Conversa sobre o contacto com os Padrinhos da Escolinha, as avaliações dos alunos e o reforço da equipa da escola. 




Dia 1: Encontro com a Voluntária Cátia, em Moçambique por 6 meses e a meio da sua estadia.

Dia 2: Visita à Escolinha Flor da Infância, reunião com os técnicos e assistentes da escola - Marquês,Solange e Hélder - reunião com a Irmã Helena, a nova Directora da Escola. Discussão de novas condições do Apadrinhamento na Escolinha

                    
Dia 2: Discussão das alterações ao programa dos Meninos de Xai-Xai e formas de continuação do plano de Poupança para as crianças



Dia 3: Visita à Missão de Chongoene e reunião com o Parceiro Local Padre Rosendo sobre os Programas de Banhine e Nhancutse. Planificação da construção dos furos, parcialmente financiados pela UPG Reino Unido. 



                                     Dia 3: Visita ao Centro de Informática e discussão de formas de melhorar a rentabilidade do centro, que ameaça fechar


Dia 3: Reunião com o novo técnico UPG Arnaldo, de apenas 16 anos, e que faz a comunicação com os Padrinhos de Banhine e Nhancutse



Dia 4: Ida a Chiare com o Parceiro Local Padre Rosendo, onde a bomba do furo re-construído pela
                                UPG foi roubada. Uma nova bomba foi posta mas por alguém vizinho mas agora a água tornou-se cara para a população. Procura de soluções



Dia 4: Ida a Bungane com o Parceiro Local Padre Rosendo. O carro parou no meio do mato mas ainda conseguimos visitar a Palhota dos Afilhados da Fundação Luis Figo. Ficaram por visitar as palhotas de Nhancutse, porque tudo atrasou




Dia 4: Partida para Chokwé, onde fomos recebidos pela Irmã Neuza, em plena época de exames na escola. Discussão dos prós e contras do Programa de Voluntariado, alterações para melhoria da Sala de Estudo e qualidade da educação das crianças e potenciais melhorias para 2012. 





Dia 4: Encontro com as voluntárias Margarida, Peddy e Piedade que estão ao serviço na Escola 
                                 de Santa Luísa de Marillac e São Vicente de Paulo


Dia 5: A minha primeira visita à Escola Santa Luísa Marillac. Todo o bem que dizem da escola é verdade, como já pus no último post

Dia 5: Recepção com as crianças de Santa Luísa,visita à escola e conhecimento das várias actividades. Distribuição de alimentos do mês de 
Novembro. Discussão das necessidades de ajuda nos projectos de Economia Doméstica. Discussão do alargamento a 20 novos afilhados. 


Dia 5: Visita à Palhota da Teresa e da Sandra para entrega das chaves da casa. Apesar de estar sem chão, as meninas já conseguem imaginar onde vão dormir! Financiada por um Desafio UPG!


Dia 5: Visita à Palhota (ou já nem isso) do Benete, da Flora, do Nélson e do Elísio, as 3 palhotas cuja construção vai iniciar-se ainda este mês, financiadas pela UPG Reino Unido. 


Dia 6: Visita a Hokwé, onde fica o Internato dos "Meninos de Hokwé", um novo programa de Apadrinhamento da UPG. Conversa com a Lina, sobre os estudos, condições e a necessidade de não engravidar. Discussão com os professores e a  
directora sobre a forma de prevenção da SIDA e gravidezes indesejadas.


Dia 6: Visita a Chiaquelane e à ex-Parceira Local Irmã Isaura. Com lágrimas nos olhos encontrei muitas das crianças que a UPG deixou de Apadrinhar, inclusivé aquele que será sempre meu afilhado Zezito. Os mais velhos regressaram às suas casas. Os pequenotes continuam por ali. Detalhes para um post mais tarde.

3 de novembro de 2011

Mana Sara em Santa Luísa de Marillac


Hoje foi um dia de grande alegria! Estive pela primeira vez no nosso novo projecto em Manjangue, a Escola de Santa Luisa de Marillac. Depois de uma semana difícil em Moçambique, a rever amigos e parceiros e numa luta de resolução de problemas de quando se tenta mudar o mundo à distância. Tenho de confessar que ao saber que teríamos uma pequena recepção, com músicas carinho e alegria, não pude deixar de ficar contente.

Por muito que soubesse o que me esperava, não sabia a dimensão do carinho preparado por todos para a nossa recepção. As crianças cantaram e dançaram, declamaram poemas e apresentaram-se entre músicas, com alegria e sorrisos na cara. Tivemos um momento de conversa sobre a importância dos Padrinhos e da UPG na vida das crianças e da escola e ainda a oportunidade de participar na distribuição mensal. Santa Luísa é uma escola muito especial. A integração de toda a equipa em favor das crianças dá muito conforto de sabermos que cada gota de esforço é levada às crianças e aproveitada da melhor maneira. Visitámos as salas de aula, a Sala de Projecto de apoio ao estudo onde estão de momento 3 voluntárias UPG, a biblioteca, os canteiros das crianças, e todas as salas que pretendem encher-se de projectos de costura e alfabetização. Visitámos a pequena loja onde se vende tudo desde repolho em conserva, compota, almofadas e sacos para os livros, tudo feito na escola. A escola é uma escola de economia doméstica – quando saem, as crianças devem saber não apenas ler mas também limpar, fazer sabão, cozinhar, costurar ou fazer pão. A filosofia torna tudo muito integrado e muito natural e quase que tudo nos parece fácil.

Por trás de tudo está a força da Irmã Lídia, que nos recebe sem receios nem hesitações apesar da bengala e alguma idade. A sua alegria de nos ver aquece-nos o coração e é com grande curiosidade e emoção que conhecemos o Silvestre, a quem pessoalmente apoio no programa de Bolsas Universitárias, a Irmã Maria do Céu, que ajuda nas visitas às famílias e na Sala de Projecto e a Irmã Cristina, que faz o acompanhamento médico das crianças.

Pelo caminho ainda inaugurámos a primeira Palhota UPG em Santa Luisa, a Palhota da Sandra e da Teresa. Faltou o chão mas na alegria que entregasse as chaves da casa às crianças passámos ao lado e festejámos a nova casa hoje mesmo. Pelo caminho visitámos as restantes 3 palhotas que deveremos iniciar a construção ainda este mês, antes que a chuva faça cair o que resta de algo que mal se pode chamar casa.


Hoje foi um dia feliz, um dia em que vimos de perto como Um Pequeno Gesto é Uma Grande Ajuda. Khanimambo a todos os que estiveram connosco!


17 de outubro de 2011

Apaixonei-me pela UPG... Por Mana Catia

Apaixonei-me pela UPG assim que descobri as suas primeiras fotografias... Quando vi a Ana João, o Samuel ou até mesmo a Raquel... nas distribuições ou no trabalho na Sala de Projeto desejei estar ali com eles e partilhar todo aquele mundo de dádivas, conhecer aquelas gentes e experimentar aqueles cheiros.

A certeza de África nasceu para mim quando tinha 16 anos - pela primeira vez percebi o que queria fazer da minha vida - ajudar os outros. Não foi fácil mas a verdade é que nunca pensei que pudesse tirar seis meses da minha vida para me dedicar àquilo em que realmente acredito - não somos nada uns sem os outros.
Trabalhar em Moçambique ainda me tem reforçado mais essa ideia. Aqui onde o coração mora na boca das pessoas, é mais fácil ser livre e viver sem medos de sermos iguais a nós próprios.

Confesso que a adaptação não foi fácil, esta realidade não tem nada a ver com a minha e viver tanta mudança de uma vez foi doloroso. Á medida que o tempo foi passando foi-me sendo mais fácil entender...

Trabalhar na UPG é entender um mundo inteiro de dádivas, generosidade e de sorrisos.
Claro que nem tudo são facilidades, a vida nem sempre é linear. A verdade é que Moçambique é um país em estado crítico a todos os níveis, a esperança média de vida são 47 anos, a maioria dos nossos meninos são órfãos de pai e de mãe por causa do HIV, a malária não mata muito mas deixa sempre a sua marca na vida desta gente.
E não pensem que é uma realidade que é só de alguns, afeta desde o mais pequeno ao maior, desde o mais pobre ao mais rico. 

É desesperante olhar para uma criança e saber à partida está condenada...
Aqui luta-se pela sobrevivência todos os dias e o nosso papel é reinventar soluções e alternativas...

Extraordinário é também este povo que apesar de todas as contrariedades tem sempre um sorriso nos lábios e umas palavras doces para nos dizerem.
Todas as manhãs sou recebida de braços abertos nas comunidades ou nas escolas.
Trabalho semana sim, semana não em duas escolas. Não imaginam a sensação que é chegar à segunda-feira e só ouvir dizer: "Mana Cátia, sentimos tanto a sua falta..." Até mesmo quando não se sabe falar português (aqui no Chokwé e Manjangue falam o Changana (dialeto)) há sempre uma saudação...

Estórias, há muitas estórias... difícil é para mim memorizá-las todas...
Lembro-me sempre mais as dos meninos com quem partilho a maior parte do meu tempo...
São sempre muito tímidos no início mas essa timidez desfaz-se a um sorriso meu... falam pouco mas comunicam através do seu olhar espelhado.

Conto-vos apenas uma estória, a estória dos dois meninos que estão comigo na foto e da vovó deles. O Elídio e o Nelson.
São os dois orfãos de pai e de mãe. Não se sabe do que morreram, apenas morreram os dois, e os filhos ficaram sozinhos.
Esta senhora que vêem na outra fotografia teve pena deles e cria-os numa casa feita de matope (barro) que está inclinada e que, segundo o Técnico da UPG, nas próximas épocas de chuvas vai cair. Vivem de quê? Vivem de uma pequena machamba que dá milho e outros legumes e da ajuda da UPG (uma cesta básica que é distribuída todos os meses às famílias apoiadas, com arroz, feijão, óleo, sabão, sal e açucar). A senhora já quase não tem força para trabalhar e são os dois pequenotes que vão ajudando no trabalho.

É uma coisa extraordinária, aqui as crianças ajudam em tudo. Assim que eu chego perguntam se eu preciso de ajuda.
Estão tão habituados a trabalhar que para eles qualquer actividade é uma diversão. São desenvoltos, muitas vezes os chinelos ou os sapatos estorvam e não servem para nada de tão calejados que estão os seus pés. Sinto-me maravilhada porque aqui não há frescuras, são autênticos filhos da mãe natureza, da Terra!

O trabalho com as crianças é sem dúvida o mais enriquecedor....
A menina que vêem comigo na fotografia é exemplo disso, chama-se Benina e  sempre que não tem aulas fica ao meu lado. Segue-me, não fala muito, mas anda sempre comigo como uma guardiã. Gosta da minha companhia e eu aprecio muito a dela. Daí nasce a cumplicidade. Eu sei que ela está ali e ela sabe que eu estou aqui...
E como vai ser quando eu for para outro lado?

É um dos contras do voluntariado de curta duração. Daqui a um mês e meio estou a mudar de sítio, de pessoas, de vida - vou para outro projeto em Chongoene.
E estas relações que construí até agora? O que se faz com tanto carinho e cumplicidade? Como é que eu vou viver sem ele depois disto?

Definitivamente há uma grande parte de mim que vai ficar aqui. Os meus diálogos nos chapas durante as viagens intermináveis com os companheiros locais, os sorrisos nem sempre fáceis de conquistar mas que por insitência teimam em aparecer nestas caras escuras e simples. As minhas viagens a pé, perdida nos caminhos do mato onde vou cumprimentando as pessoas dizendo as únicas palavras que aprendi no dialeto deles: "Lichili mamã", "Lichili papá" e que muitas vezes são respondidos com um Bom Dia Mana Cátia...

Tem sido um desafio mas todos os dias desejo que o tempo pare para que possa aproveitar ao máximo esta oportunidade - trabalhar com as irmãs, com as crianças, com os professores, conhecer pessoas diferentes e aprender com elas coisas novas.

Sim, estou apaixonada por isto por esta magia da qual sempre ouvi falar mas que não tinha a certeza de existir.
Afinal, this is África...

Mana Cátia